29 jun

Nós, brasileiros, aprendemos a amar e vivenciar o futebol desde criança. Durante muitos anos, ir ao estádio acompanhar os jogos do seu time de coração foi um dos melhores e mais divertidos programas das famílias brasileiras. Pensando nisso, o deputado estadual Capitão Wagner (PR) lançará, nesta quinta-feira, 29 de junho, na Assembleia Legislativa do Ceará, com outros parlamentares, um manifesto em Defesa da Paz nos Estádios e contra a comercialização de bebidas alcoólicas dentro das arenas.

O parlamentar acredita que liberar a comercialização de álcool nos estádios de futebol, onde naturalmente os ânimos já estão alterados dada a emoção que envolve a paixão pelo clube, é dizer sim à violência. Além de ser um exemplo negativo e contraditório para a juventude associar o esporte ao consumo de bebidas alcoólicas.

Capitão Wagner destaca ainda que atualmente é difícil encontrar famílias dentro dos estádios: “Os motivos são diversos, tais como, o valor elevado dos ingressos, a falta de segurança e o consumo excessivo de drogas fora e dentro das arenas”, disse. Por estas razões, segundo ele, cada vez mais as famílias optam pela segurança do lar para acompanhar as partidas de futebol. Diversas ações foram implementadas com o passar dos anos no intuito de coibir atos violentos nas praças esportivas. Uma das medidas adotadas foi proposta pelo Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Publico (CNPG) em conjunto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que proibiu a venda e consumo de bebidas alcoólicas em competições oficiais visando a diminuição da violência nos estádios de futebol.

Leis Brasil afora

Neste passo, com vistas à redução da violência nos estádios, vários Estados e Municípios brasileiros também aprovaram leis proibindo a comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a Lei Estadual nº 12.916, de 2008, “proíbe a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol e nos ginásios de esportes”. Dados da Brigada Militar daquela unidade da Federação confirmam que a medida alcançou o seu objetivo, pois desde a implantação da lei a redução de violência nos estádios chegou a 70%.

Encontramos outro exemplo no Estado de São Paulo, onde a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios começou a vigorar no ano de 1996, e que dados do Ministério Público Estadual mostram que o quesito detenções por violência fora e dentro dos estádios foi reduzido drasticamente a partir do momento em que a lei foi instaurada. Em 1995, quando ainda era permitido o consumo de bebidas nos eventos esportivos, o número de presos por brigas e tumultos era de seis pessoas por partida.

Menos de um ano após a entrada em vigor da legislação, o número caiu pela metade; depois, o número de detidos por partida chegou à marca de um torcedor por evento. Em âmbito nacional, a Lei Federal 10.671/03, Estatuto do Torcedor, em seu art. 13-A, II, condiciona o ingresso e a permanência do torcedor no estádio de futebol ao não porte de bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência.

Para finalizar, Capitão Wagner destaca que o conflito entre torcidas já é um problema crônico, que aliado ao álcool desencadeia a violência nos estádios. “Culpar o consumo de álcool pela violência nos estádios é um exagero, já que suas causas são múltiplas, variadas e complexas, mas pesquisadores experientes na área médica explicam que o álcool reduz a censura e a autocrítica, potencializando a agressividade. Ou seja, se consumida durante a partida, a violência pode se manifestar com mais facilidade”, disse.

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