23 mai

O deputado estadual Capitão Wagner (PR) protocolou, na manhã desta terça-feira, 23 de maio, na Assembleia Legislativa do Ceará, pedido de impeachment do governador do Ceará, Camilo Santana (PT). O requerimento foi entregue na presidência da Casa. Os deputados estaduais Roberto Mesquita, Leonardo Araújo, Fernanda Pessoa e Odilon Aguiar acompanharam o líder da oposição na entrega, após reunião realizada no gabinete do Capitão Wagner.

Em pronunciamento, nesta terça-feira, 23 de maio, na tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará, Capitão Wagner repercutiu a delação dos irmãos, donos do grupo JBS, na última sexta-feira, 19 de maio, que citou o ex-governador Cid Gomes (PDT), afirmando que ele “achacou” 20 milhões com o intuito de eleger o atual governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

Outro requerimentos

O deputado Capitão Wagner deu entrada também em um documento solicitando a Procuradoria de Justiça dos Crimes contra a Administração Pública (Procap) que investigue os atos de improbidade administrativa, praticados segundo delatores da JBS, pelo o ex-governador e seus secretários, que estão também na gestão atual. O parlamentar deu entrada, ainda, em um documento, no Ministério Público Federal, solicitando a apuração dos supostos crimes eleitorais praticados por Camilo Santana, Izolda Cela, Arialdo Pinho, Antônio Balhmann, Mauro Filho e João Marcos, pois, segundo o deputado, há indícios de crime eleitoral por parte de todos eles. “O governador já foi à imprensa dizer que não afastará os seus secretários e nenhuma sindicância foi instalada, para apurar se as denúncias são verídicas ou não. O que mais intriga é o fato de que o principal interlocutor (Antônio Balhmann), da suposta propina, recebeu como doação de campanha mais de R$ 1milhão,” disse Capitão Wagner.

O secretário Antônio Balhmann continua a frente das relações institucionais. Capitão Wagner questionou: “O secretário está mantendo contato com as empresas que querem fazer negócio com o Estado do Ceará. Agora lhes pergunto, é ou não é arriscado deixar à frente da secretária o secretário, que aparece em uma delação?”

“Fomos averiguar se esses não eram modos operantes de um grupo criminoso e há indícios que essa é uma prática antiga. Se verificarmos dados apresentados pelo jornal O Povo nós temos a data liberação do recurso da JBS, e em muitos dos casos, dois dias depois temos doação oficial da JBS na conta de campanha do governador Camilo. Em 14 de agosto, temos R$ 15 milhões e 500 mil reais depositados na conta da JBS, quando você vem para a conta de campanha de Camilo, temos R$ 3 milhões depositados em sua conta. Exatamente 20%”, salientou o deputado.

Capitão Wagner lembrou que o deputado Elmano de Freitas (PT) foi vítima, em 2012, “quando a capital cearense presenciou, no dia da eleição do segundo turno, a cidade tomada por militantes vestidos de amarelo, onde, prefeitos do interior enchiam ônibus de militantes e traziam para Fortaleza, mas isso não está na prestação de contas. Alguém viu pagamento de ônibus, pagamento de militantes do interior”? Esse recurso veio de uma empresa denominada Paquetá Calçados, empresa essa que recebeu no período eleitoral R$ 15 milhões, na sequência, quem recebe uma quantia de mais de R$ 1 milhão de reais, da empresa Paquetá Calçados, em sua conta, é o então candidato à prefeitura, Roberto Cláudio (PDT)”.

De acordo com o deputado, a empresa Grandene, também foi beneficiada ao receber, na época da campanha, cerca de R$ 20 milhões, e depositou na conta de campanha de Roberto Cláudio, R$ 200 mil. Ainda de acordo com dados do Portal da Transparência, trazidos pelo deputado Capitão Wagner, uma terceira empresa havia sido beneficiada, a empresa Bermas, de Maracanaú, que recebeu, da mesma forma que a JBS, R$ 13 milhões, e ao verificar as contas de campanha do atual prefeito de Fortaleza, a empresa Bermas depositou cerca de R$ 640mil na conta de Roberto Cláudio.

Com base nessas informações, para o deputado Capitão Wagner, fica claro que todas essas denúncias, baseadas nas evidências pelas notas frias apresentadas, existe uma outra coincidência. “Quem for olhar as notas frias apresentadas pelo grupo JBS, as empresas que deram essas notas são coincidentemente empresas que prestam serviços ao Governo do Estado”, finalizou.

 

Deixe um comentário