Em pronunciamento nesta terça-feira, 24 de outubro, o deputado estadual Capitão Wagner (PR) repercutiu o escândalo envolvendo servidores e fornecedores da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa). Capitão Wagner iniciou a fala fazendo um diagnóstico da situação da saúde no estado, salientando o sofrimento da população cearense que depende do serviço de saúde pública. “É importante que façamos a campanha do outubro rosa para conscientizar as mulheres a fazerem o autoexame e prevenir o câncer de mama, mas é preciso que as pessoas possam buscar uma unidade de saúde e encontrar um aparelho de mamografia funcionando, que não é o que tem acontecido,” disse.

O Ministério Público de Contas do Ceará identificou uma série de crimes dentro do sistema de saúde do estado, tais como: a troca de materiais onde se paga por um produto e recebe-se outro; o pagamento feito antes da entrega da mercadoria, com vistas a garantir que a mercadoria pela qual se paga é de fato a que foi requisitada; o superfaturamento nas compras de medicamentos; o recebimento de material sem registro da vigilância sanitária e, por fim, lançamento de informações falsas no sistema de controle do estado.

Até agora, duas pessoas envolvidas no esquema foram presas. Uma delas é a senhora Valécia Diana Gadelha Maia, a gestora de compras hospitalares da Sesa, que há alguns meses era servidora do ISGH. “Chamo os deputados para que façamos uma relação para entender por que o ISGH tem tanta influência no sistema de saúde do estado e porque pessoas vinculadas em altos cargos da Secretária de Saúde já foram gestoras do ISGH,” ressaltou. Capitão Wagner citou que a senhora Carla Porto, esposa do Secretário de Saúde do Estado, é também servidora do ISGH. “O próprio secretário foi servidor do ISGH,” salientou. O deputado listou uma série de nomes de servidores da Secretaria de Saúde que foram servidores do ISGH.

Capitão Wagner disse ainda que a diretora administrativa financeira do ISGH, a senhora Nátia Quezado Costa fez um desafio aos amigos a ter uma casa nas condições de luxo da residência que ela tem no condômino Alphaville. “A que ponto chegamos? Como uma servidora, que pelas condições remuneratórias, não teria condições de estar fazendo esse tipo de desafio?” criticou.

Capitão Wagner apresentou dados que mostram uma planilha de gastos da saúde do Estado do Ceará, que em 2003, o ISGH, à época responsável apenas pela gestão do Hospital Valdemar de Alcântara, recebeu do estado, governado pelo então governador Lúcio Alcântara, pouco mais de R$ 18 milhões, enquanto que, em 2015 o valor do repasse saltou para mais de R$ 480 milhões. “O que podemos ver aqui é que essa Organização Social (OS) é responsável por gerir a saúde pública do estado. Se nós formos somar, de 2008 para cá, essa instituição já recebeu dos cofres públicos quase R$ 3 bilhões. Se confirmado esse escândalo na Secretaria de Saúde, nós podemos ter o maior escândalo de desvio de recursos públicos do Estado do Ceará, através dessa relação promíscua entre a Secretaria de Saúde e o ISGH,” explicou.

O deputado pediu que a Assembleia Legislativa convocasse o Secretário de Saúde para dar explicações acerca dessa operação que foi instaurada pelo Ministério Público, pelo Ministério Público de Contas e pela Polícia Civil, que já cominou com a prisão de uma gestora do órgão e de um fornecedor que estava sendo beneficiado com esse superfaturamento. “Vale ressaltar que de acordo com a imprensa, a ISGH nunca prestou contas com o Estado” lamentou.

Para finalizar, o parlamentar pediu que a Casa Legislativa fizesse a sua parte e fiscalizasse o que está sendo feito com o dinheiro da saúde pública. “Ou convocamos a vinda do Secretário de Segurança para vir à Assembleia dar explicações, ou instalamos uma CPI para apurar o caso. O que não podemos é deixar que se faça o que foi feito com a CPI do Narcotráfico que ficou de ser instalada no segundo semestre de 2016 e até agora nada,” concluiu.

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